A transição para a primavera de 2026 trouxe uma das maiores ondas de calor registradas no país nos últimos anos. Sob o impacto de um padrão meteorológico influenciado pelo fenômeno El Niño de forte intensidade, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu avisos de perigo com alerta vermelho para temperaturas muito acima da média climatológica em ampla faixa da Região Centro-Sul do Brasil.
As projeções indicam marcas térmicas com desvios de 5 °C a 10 °C acima do padrão histórico para o final de setembro, alcançando até 41 °C em áreas do Mato Grosso do Sul, noroeste de São Paulo, Triângulo Mineiro e norte do Paraná.
O aquecimento atípico e prolongado acendeu o sinal de alerta para o setor hortícola e para a bataticultura, exigindo rápida adaptação na gestão hídrica e no manejo foliar para conter perdas de produtividade e prevenir a deterioração na qualidade dos tubérculos.
Os impactos do estresse térmico sobre a bataticultura
A batata é uma espécie de clima temperado que atinge seu teto de rendimento fotossintético em temperaturas situadas entre 18 °C e 22 °C. Quando exposta a calor intenso sustentado por vários dias consecutivos, a planta entra em estresse fisiológico agudo:
- Inibição do Enchimento de Tubérculos: Sob altas temperaturas, a planta prioriza a respiração celular para tentar dissipar calor. Esse processo consome as reservas de carboidratos que seriam destinadas ao enchimento das batatas, paralisando a translocação de amido e encurtando o ciclo vegetativo.
- Incidência de Fisiopatias: A oscilação brusca na temperatura do solo e o aquecimento da zona radicular favorecem o aparecimento de manchas internas (necrose de calor), emborrachamento, crescimento secundário (segunda brotação nos tubérculos) e o surgimento do distúrbio conhecido como coração negro, provocado pela asfixia celular sob calor extremo.
- Redução do Padrão Comercial: Batatas expostas a estresse térmico durante a fase final do desenvolvimento tendem a registrar menor peso específico e perda do padrão de classificação para a categoria Ágata Especial, aumentando o percentual de descarte no beneficiamento.
Estratégias práticas para mitigar os efeitos do calor nas lavouras
Para reduzir os danos provocados pela onda de calor sobre o estande de plantas e proteger a rentabilidade nas áreas irrigadas por pivô central, engenheiros agrónomos recomendam a adoção imediata de medidas preventivas:
| Foco de Atuação | Prática Recomendada no Campo | Benefício Fisiológico e Operacional |
|---|---|---|
| Manejo de Irrigação | Fracionamento de lâminas de água com regas preferencialmente noturnas ou matutinas. | Reduz a temperatura do solo por resfriamento evaporativo e evita o choque térmico na raiz. |
| Nutrição e Proteção Foliar | Aplicação de bioestimulantes à base de extratos de algas (Ascophyllum nodosum), aminoácidos e potássio. | Estimula o equilíbrio osmorregulador e reforça o sistema antioxidante da planta contra o estresse por calor. |
| Cobertura e Solo | Manutenção de amontoas bem estruturadas e preservação de palhada superficial. | Cria uma barreira física contra a radiação solar direta, moderando o aquecimento na zona dos estolões. |
Atenção ao ciclo e acompanhamento agrometeorológico
Para os produtores que encerram a safra de inverno e iniciam os preparativos para o plantio da safra de verão 2026/2027, a orientação técnica é acompanhar diariamente os boletins do Inmet e do Inpe. A adoção de tecnologias de monitoramento da umidade do solo em tempo real e o ajuste nas estratégias de irrigação continuam sendo as ferramentas mais eficazes para atravessar episódios de temperaturas extremas com menor impacto sobre a produtividade e a saúde financeira do negócio.
Fique por dentro do mundo da batata
Para acompanhar os boletins meteorológicos, dados do mercado hortícola e análises técnicas sobre o cultivo da batata, continue acompanhando o portal de notícias da Abbin. Aqui você encontra informação oficial e transparente para apoiar as decisões no seu negócio.








