A história de Silvio Goulart, responsável pela Agrolart, não se resume apenas ao agronegócio ou ao mercado de sementes, mas a uma relação profunda e intergeracional com a terra. Sua conexão com a cultura se estende por mais de seis décadas e está enraizada na tradição de ambos os lados de sua família. “Está no sangue, nasceu da tradição familiar”, resume o executivo.
Para ilustrar o peso dessa herança, ele relembra uma história marcante. “Do lado da minha mãe, por exemplo, quem foi a primeira a cultivar batata foi a minha avó. Com o que ela colheu, ela comprou o enxoval da minha mãe”, conta Goulart.
Com o tempo, essa bagagem afetiva transformou-se em um modelo de negócio sólido. A Agrolart foi idealizada e criada justamente para solucionar as dores que o próprio produtor enfrentava no campo, preenchendo lacunas na busca por sementes de qualidade e segurança técnica.
A evolução no campo: mecanização x comercialização
Tendo começado a trabalhar na roça cedo, aos 14 anos, Silvio Goulart acompanhou de perto as transformações estruturais do setor. Para ele, o salto tecnológico e a mecanização de processos representaram o maior avanço da bataticultura nas últimas décadas.
No entanto, o executivo aponta que há um pilar fundamental que permaneceu praticamente estagnado. “O que mais mudou com certeza foi a mecanização, a evolução tecnológica de como cultivar a batata”, analisa. Por outro lado, ele faz um alerta sobre a ponta final da cadeia: “Agora, no quesito comercialização, foi o setor que menos mudou”.
Para o gestor, a forma de vender, distribuir e posicionar o produto hoje ainda é muito semelhante àquela utilizada no passado. “O que não mudou praticamente nada, e que eu via meu avô e meu pai contando nas histórias deles, é a comercialização”, afirma.
Uma “virada de chave” valiosa
Essa percepção cirúrgica sobre as falhas de mercado tornou-se o grande marco em sua carreira. O estalo para essa visão veio por meio de uma conversa franca e definitiva com seu pai, que atuou como produtor de batata por mais de 45 anos.
Prestes a se formar em agronomia, Goulart ouviu um conselho que redefiniu completamente a sua trajetória profissional. “Ele me disse: ‘O meu problema foi comercializar. Eu sempre produzi muito bem, mas sempre tive dificuldade no momento da comercialização'”, relembra o empresário.
A confissão paterna foi recebida como uma verdadeira lição de gestão e estratégia. “Naquele momento, eu entendi que a forma de comercializar era tão importante quanto a forma de produzir”, relata.
Foi essa mentalidade inovadora que fez a Agrolart estruturar sua atuação com o foco não apenas em vender sementes a qualquer custo, mas em agregar valor, oferecendo acompanhamento técnico rigoroso para proteger o investimento do produtor rural.
O desafio da variedade ideal e a educação do consumidor
Olhando para as demandas do presente e as tendências do futuro, o gestor identifica o aspecto visual do produto nas gôndolas dos supermercados como o maior desafio da cadeia.
Com a consolidação da exigência pela “batata lavada”, a busca por uma semente perfeita exige conciliar a aparência desejada pelo comprador com a versatilidade culinária.
“O gargalo maior que a gente vê é o quesito da comercialização”, repete Goulart, apontando a solução necessária: “O caminho é encontrar uma variedade que entregue o que o mercado hoje já está adaptado, que é a qualidade de pele, mas que tenha a opção de fritar bem e ter um pós-colheita mais alongado”. Ele não tem dúvidas sobre o impacto econômico que essa evolução em pesquisa e tecnologia trará. “Esse é um ponto-chave pra gente alavancar o consumo de batata no Brasil”, projeta.
Além da inovação agronômica, ele destaca a urgência de uma mudança cultural para educar o consumidor final. “Precisamos de uma mudança na forma de comercializar e de posicionar as variedades”, defende. O desconhecimento do público, segundo ele, é um obstáculo real. “O consumidor desconhece a cultura; uma grande parte não sabe se a batata dá em cima ou embaixo da terra”, exemplifica.
Inovação como legado
Ao refletir sobre sua longa jornada no agronegócio, Silvio Goulart revela que seu maior objetivo não é apenas comercial, mas existencial: honrar a história de sua família e pavimentar um caminho mais rentável e seguro para o homem do campo.
“A gente busca contribuir com a bataticultura através de uma inovação que traga sucesso para todos que estão envolvidos com a cadeia”, explica. E finaliza com uma certeza sobre o propósito do seu trabalho: “Esse é o legado que gostaríamos de deixar”.
Ouça a entrevista completa
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