Associação Brasileira de Batata In Natura

Monitoramento do El Niño entra no radar do varejo e exige planejamento na logística de hortifrúti

Clima quente em referência ao El Niño.

O fortalecimento do fenômeno climático El Niño, com projeções da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontando uma probabilidade superior a 90% de o evento atingir forte intensidade entre o último trimestre de 2026 e o início de 2027, acendeu o sinal de alerta no setor supermercadista, atacadista e na distribuição de hortifruiti.

Por se tratar de um segmento que lida diretamente com alimentos de alta perecibilidade, a instabilidade no regime de chuvas e as oscilações bruscas de temperatura exigem que o varejo alimentar e os distribuidores ajustem suas estratégias de abastecimento para evitar perdas na pós-colheita, rupturas nas gôndolas e impactos severos nas margens operacionais.

Efeitos do clima na cadeia de abastecimento de perecíveis

O El Niño altera o padrão de circulação atmosférica em escala global, provocando, no Brasil, a concentração de volumes expressivos de chuva na Região Sul e períodos de seca atípica ou altas temperaturas nas regiões Norte e Nordeste, além de precipitações irregulares no Sudeste.

Na cadeia de hortifrúti, as alterações climáticas atingem diretamente a regularidade das entregas:

  • Desafios no Campo: O excesso hídrico em praças produtoras do Sul e Sudeste prejudica a colheita, atrasa a entrada de máquinas no campo e afeta a qualidade fisiológica de produtos como batata, tomate e folhosas, reduzindo a vida de prateleira (shelf life).
  • Gargalos Logísticos: Estradas vicinais e rodovias impactadas por alagamentos ou desmoronamentos aumentam o tempo de transporte dos centros de produção até as Centrais de Abastecimento (Ceasas) e centros de distribuição urbanos.
  • Gestão de Estoques: Em ambientes de incerteza quanto à regularidade da oferta, o risco de perdas por deterioração no transporte ou armazenamento inadequado cresce significativamente, demandando maior rigor nos processos de recebimento e triagem.

Insumos certificados e resiliência no campo

A resiliência da logística de hortifrúti começa ainda no planejamento do cultivo. Durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes, promovido pela Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), a entidade ressaltou que a utilização de materiais genéticos e sementes certificadas desempenha papel decisivo no estabelecimento inicial das lavouras.

Em períodos de instabilidade climática sob a influência do El Niño, lavouras estruturadas com insumos de alta qualidade apresentam maior uniformidade e tolerância ao estresse hídrico ou fitossanitário, minimizando falhas de emergência no campo e contribuindo para a previsibilidade da oferta nos centros distribuidores.

Com a previsão de permanência do El Niño até o primeiro trimestre de 2027, o acompanhamento contínuo dos boletins meteorológicos e o alinhamento transparente entre produtores rurais, transportadores e varejistas continuam sendo as principais ferramentas de gestão para atravessar o período com equilíbrio e eficiência operacional.

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