Tomar decisões no agronegócio com base apenas na intuição é um risco que o mercado já não perdoa. Compreendendo essa urgência por dados confiáveis, a Associação Brasileira de Batata In Natura (ABBIN) firmou uma parceria estratégica com o CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), braço da ESALQ/USP e uma das maiores autoridades em economia agrícola do país.
O objetivo do encontro entre a entidade e a academia é claro: transformar números em rotas seguras para quem planta, distribui e comercializa.
Lincoln Carrenho, diretor-geral da ABBIN, explica que a associação, embora jovem, identificou rapidamente um gargalo histórico no setor. “O que notamos desde o início do seu nascimento é a necessidade de nós falarmos uma mesma língua”, aponta o executivo.
Segundo ele, unificar a linguagem e o entendimento do mercado só é possível através da ciência. “Para que isso aconteça dentro da nossa cadeia, a maior necessidade que nós temos é sobre dados, informações”, afirma Carrenho.
A pesquisa que nasce e respira no campo
Para que esses dados sejam úteis na ponta da linha, o CEPEA adota um modelo de trabalho que foge dos laboratórios fechados e se conecta diariamente com a realidade das lavouras.
Margarete Boteon, pesquisadora do CEPEA e professora da ESALQ/USP, coordena uma equipe de 25 pessoas dedicadas exclusivamente ao setor de frutas, legumes e verduras (FLV). Ela resume o foco da instituição: “O nosso propósito é gerar informações para o produtor ter tomadas de decisão mais certeiras na área de negócio”.
A professora reconhece que há um estigma histórico sobre o distanciamento da academia, mas garante que o modelo do CEPEA quebra essa barreira por meio da integração com as associações.
“A universidade muitas vezes é encarada como se estivesse distante dos problemas reais”, observa Margarete. Para ela, o diálogo diário com quem está na linha de frente é o grande diferencial do projeto. “Essa mão dupla, de estar nos informando, trocando e criticando, dá mais aderência à pesquisa. O DNA e o que nós aprendemos foi com o setor”, ressalta.
O “retrovisor” e as projeções para a batata
João Paulo Deleo, pesquisador do CEPEA e figura carimbada entre os bataticultores de todo o país, é o responsável por traduzir essa massa de dados em tendências claras. Para ele, o objetivo de acompanhar as cotações vai muito além do curto prazo.
“O principal papel nosso é permitir e possibilitar que o produtor tenha condições de se planejar melhor com as nossas informações”, define.
Ao analisar o comportamento recente do mercado, marcado por altos e baixos na rentabilidade, João Paulo utiliza o histórico para desenhar o futuro. “A boa notícia é que esse ciclo está próximo do fim, mas ainda temos um período desafiador, que é a safra de inverno desse ano”, projeta o pesquisador.
Com o mercado prestes a receber uma oferta robusta nos próximos meses, ele deixa um alerta direto aos produtores para evitar que o excesso de produto trave as comercializações.
“O primeiro recado que eu gostaria de dar para o pessoal que já está se planejando: não segurem a batata que está pronta para ser colhida e ofertada. Porque vai ser um problema lá na frente”, adverte Deleo.
Gestão de crise e sigilo de informações
Diante de um cenário de custos altos e mudanças climáticas no horizonte — com projeções apontando para um 2027 bem diferente dos últimos dois anos —, a sobrevivência financeira dependerá da eficiência.
Como bem pontua João Paulo, o mercado seleciona quem se prepara. “Hoje em dia a bataticultura está bem concentrada. Por quê? Porque bons gestores conseguiram sobreviver a esses momentos de crise e expandir o negócio, colhendo bons frutos nos momentos positivos”, analisa.
E para que a base de dados do setor seja cada vez mais forte, o pesquisador convida novos bataticultores e distribuidores a se tornarem colaboradores do CEPEA, garantindo que o fluxo de informações seja sempre uma via de mão dupla e com total proteção.
“Muitas vezes a pessoa tem receio de que as informações vão ficar abertas, mas não. Aqui o CEPEA mantém sigilo. A gente nem diz com quem conversa; o que nós passamos é a informação agregada por região e por safra”, tranquiliza.
Ouça a entrevista completa
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