A construção de um setor agrícola forte exige mais do que excelência na lavoura; exige união e estratégia de ponta a ponta. Foi com essa visão que a Associação Brasileira de Batata In Natura (ABBIN) ganhou forma, reunindo produtores, distribuidores e diversos atores do mercado.
No comando dessa iniciativa estão Marcos Boschini, produtor e distribuidor com mais de 35 anos de experiência e atual presidente da entidade, e Lincoln Carrenho, executivo e diretor-geral responsável pela condução e estruturação do projeto.
A ABBIN surgiu para preencher uma lacuna estratégica. Enquanto a Associação Brasileira da Batata (ABBA) já focava em aspectos técnicos, a nova entidade nasceu com um olhar voltado para o marketing, a mídia e a promoção do produto.
“A batata não é importante só para quem planta, ela é importante também para quem comercializa, para quem comercializa semente, para quem comercializa o produto final, o atacadista. Enfim, ela tem que ser uma associação mais ampla”, explica Boschini sobre a essência integradora do projeto.
O desafio da consolidação e o combate às inverdades
Erguer uma entidade representativa nacional é um trabalho de longo prazo. Logo no início do mandato, o presidente fez um alerta importante sobre o tempo necessário para que as ações gerem impacto real.
“Uma associação demora, vai demorar por volta de 7 anos para ela se consolidar”, relembra Lincoln Carrenho, citando a visão fundamental trazida por Boschini.
Um dos primeiros focos da instituição foi desmistificar inverdades sobre o alimento, como o mito de que a batata faz mal ou engorda. Para isso, a associação testou ações em diversas mídias e chegou a contratar 30 influenciadores em nível nacional para disseminar informações corretas.
Os resultados da força-tarefa já são visíveis. “Hoje, se você fizer uma pesquisa na inteligência artificial, no Google por exemplo, você vai notar que a ABBIN já serve de base. Ela serve de base para conteúdos”, destaca o diretor-geral.
O mercado dita as regras
Outro ponto crucial de alinhamento com o setor é o entendimento sobre a formação de preços. A associação atua para fomentar o consumo e oferecer informações, mas não tem o poder de interferir nas cotações.
Boschini é enfático ao explicar essa dinâmica aos produtores e atacadistas: “Uma associação para maturar, para trazer retornos, ela demora. Não é do dia para a noite. O mercado é quem dita as regras. O mercado é soberano”.
A estratégia, segundo o presidente, é aumentar a penetração do produto na população para que o consumo se expanda e as oscilações de preço sejam menores e menos prejudiciais.
Tecnologia, informação e o peso do clima
Para o futuro, a ABBIN investe na criação de um aplicativo próprio (app) focado na coleta de dados sobre intenção de plantio e épocas de colheita. O objetivo é gerar um banco de dados robusto que auxilie o produtor na tomada de decisão.
E essa informação técnica será mais necessária do que nunca. Olhando para o cenário de 2026 e 2027, as projeções climáticas exigem cautela extrema de quem planta.
“Esse ano é um ano difícil e o próximo é um ano desafiador também em função de um fenômeno que está praticamente dado como certo. É muito comum nos anos de El Niño nós termos baixa produtividade”, alerta Boschini.
Diante desses obstáculos globais, o papel da associação se fortalece não como uma salvadora imediata, mas como um farol permanente de orientação técnica, inteligência de mercado e união setorial.
Ouça a entrevista completa
Quer entender os bastidores da criação da ABBIN, as estratégias de marketing para alavancar o consumo da batata e as projeções do mercado para os próximos anos? Confira a conversa completa com Marcos Boschini e Lincoln Carrenho no podcast A Voz do Batateiro, uma produção oficial da ABBIN. Clique no link abaixo e fique por dentro do que move a nossa cadeia produtiva!
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