O avanço da agricultura regenerativa no Brasil passa inevitavelmente pela busca de insumos mais eficientes, capazes de superar as limitações climáticas, de prateleira e de compatibilidade que há anos desafiam o uso dos biológicos tradicionais. Na linha de frente dessa transformação tecnológica está a Laboase, empresa fundada há 16 anos em Canoinhas (SC) e que vem se consolidando como referência no desenvolvimento de soluções voltadas para o equilíbrio do solo e o fortalecimento fisiológico das plantas.
Em entrevista ao podcast A Voz da Batata, promovido pela ABBIN, o pesquisador e mestrando em agricultura regenerativa Reidimar Leite detalhou a evolução da empresa — que nasceu como uma distribuidora pioneira na introdução de tecnologias biológicas no Alto Vale do Itajaí e Planalto Norte catarinense e se transformou em uma indústria de ponta em parceria com universidades e o Instituto Biológico de Campinas.
Turfa e nanotecnologia: a criação da tecnologia X-Carbo
Para superar gargalos como a baixa vida útil e a sensibilidade dos insumos biológicos convencionais aos agroquímicos, a Laboase buscou na natureza um elemento central: o carbono. Mais do que matéria orgânica comum, a empresa apostou na turfa in natura extraída de jazidas sedimentadas há milhares de anos na Região Carbonífera de Criciúma (SC), matéria-prima riquíssima em ácidos húmicos, fúlvicos, aminoácidos, fenóis e micorrizas.
Para extrair o potencial máximo desse mineral vegetal, a empresa teve de inovar até mesmo na engenharia industrial, criando e patenteando um maquinário próprio que opera por sistema de vórtices em altíssima rotação para realizar a quebra de partículas.
“Quando a ideia da nanopartícula foi iniciada, notou-se que não havia máquinas no mercado para essa extração. A Laboase criou e patenteou uma máquina que funciona com um sistema de vórtices em rotação muito alta para quebrar a turfa até obter a nanopartícula de carbono. Assim nasceu a nossa tecnologia X-Carbo”, revela Reidimar.
A escolha pelo carbono traz vantagens fisiológicas determinantes para as lavouras. Por ser um elemento tetravalente, ele conecta-se facilmente a outros elementos químicos e orgânicos, facilitando a absorção e a translocação via xilema e floema. “Além de carrear os produtos da Laboase, a tecnologia também leva os produtos químicos para dentro da planta, aumentando substancialmente a eficiência de todo o manejo”, explica.
Método OSMAC e a plataforma Bioestimulante Fisiológico Protetivo (BFP)
A partir da base de carbono, a empresa desenvolveu a sua segunda etapa tecnológica: a incorporação de metabólitos secundários de rizobactérias e fungos via biofermentação controlada utilizando o método laboratorial OSMAC (One Strain Many Compounds). O resultado foi a criação de uma plataforma de Bioestimulantes Fisiológicos Protetivos (BFP).
Diferente do biológico tradicional, que necessita de 30 a 40 dias em condições de campo ideais para estabelecer a antibiose no solo — muitas vezes inviabilizada pelos curtos intervalos de aplicação de químicos —, a tecnologia BFP entrega o composto enzimático pronto para uso imediato em tanque.
Dentre as enzimas extraídas e presentes na plataforma, destacam-se:
- Protease: Faz a quebra das proteínas de restos orgânicos em peptídeos menores, liberando nitrogênio assimilável.
- Celulase: Degrada o polímero de celulose da parede celular de patógenos e tecidos vegetais, reciclando o carbono e disponibilizando açúcares simples (glicose).
- Lignase: Atua na rigidez e impermeabilização da parede celular vegetal, evitando perdas de água e criando uma barreira física contra insetos e microrganismos.
“Toda a extração enzimática e metabólica é feita em laboratório. Por se tratar de enzimas e bioativos estabilizados, o produtor não enfrenta problemas de incompatibilidade em calda com agroquímicos e volta a ter o poder de decisão sobre o momento exato da aplicação na lavoura”, destaca Leite.
Fluxo da Tecnologia Laboase (Plataforma BFP)
Resultados na bataticultura e o desafio da canela-preta
Com validação científica conduzida por instituições independentes de pesquisa — como IPACER, Instituto Phytus, Fundação Cerrado e G12 Agro —, a tecnologia BFP tem demonstrado alta eficácia contra importantes fitopatógenos de solo, incluindo Fusarium, Rhizoctonia, Phytophthora e nematoides.
Um dos avanços mais promissores apresentados pela empresa vem de ensaios recentes realizados pela G12 Agro em Guarapuava (PR) no combate à canela-preta (Pectobacterium spp.), uma das bacterioses mais severas e desafiadoras da bataticultura brasileira, para a qual atualmente escasseiam opções de controle químico ou biológico efetivos.
Para Reidimar, a superação desses gargalos operacionais passa obrigatoriamente pela recuperação da saúde microbiológica e pela dessanilização dos solos agricultáveis.
“Anos de manejo intensivo e aplicações pesadas destruíram a microbiologia do solo, limitando o teto produtivo. Não adianta investir nos melhores equipamentos e adubos se o solo estiver doente. Agricultura regenerativa não é apenas retirar produtos, mas aumentar a eficiência do sistema como um todo”, analisa o pesquisador.
A Laboase estará no Conexão Batata Brasileira
Alinhada com as novas exigências do mercado consumidor e com o compromisso de promover uma bataticultura mais sustentável e rentável, a Laboase confirmou presença no Conexão Batata Brasileira, evento promovido pela Abbin nos dias 20 e 21 de novembro, em Campinas (SP).
A equipe técnica da empresa estará presente no Box 34 (localizado próximo à entrada do auditório principal), onde apresentará os laudos das pesquisas de campo, os dados sobre o controle de canela-preta e os detalhes operacionais do portfólio de bioestimulantes fisiológicos.
“Estaremos em Campinas mostrando que temos grandes tecnologias e soluções desenvolvidas dentro do Brasil — nem tudo que é bom precisa vir de fora. Nossa missão é transformar conhecimento agronômico em resultado real dentro da lavoura de batata”, convida Reidimar Leite.
Para saber mais sobre o evento, verificar a programação dos painéis e realizar sua inscrição, acesse o site oficial em conexao.abbin.org.
Ouça a entrevista na íntegra
Quer aprofundar-se nos detalhes técnicos sobre nanotecnologia de carbono, enzimas da plataforma BFP e os resultados de campo na batata? O episódio completo do podcast A Voz da Batata com Reidimar Leite já está disponível em áudio e vídeo nos canais oficiais da Abbin no Spotify, YouTube e nas principais plataformas de streaming.








