Associação Brasileira de Batata In Natura

Custo operacional por hectare e tecnologia de ponta: os diferenciais que a AVR quer consolidar no Brasil

Capa com os especialistas da AVR e AVR do Brasil.

A busca por maior rentabilidade no campo passa, inevitavelmente, pelo controle rigoroso dos custos de produção e pelo investimento em tecnologias capazes de preservar a qualidade da lavoura até o consumidor final. Foi com esse foco que a equipe do podcast “A Voz da Batata”, produzido pela Associação Brasileira de Batata In Natura (Abbin), viajou até a cidade de Roeselare, na Bélgica, para conhecer de perto a sede global da AVR.

Fundada em 1849 e dedicada à fabricação de colhedoras de batata desde 1949, a empresa belga possui uma trajetória secular voltada exclusivamente à bataticultura. Em bate-papo conduzido durante a visita técnica, Mathieu Trifant, gerente de vendas da AVR para o continente americano, e Roberta Beraldo, fundadora da concessionária AVR do Brasil, detalharam como a engenharia da marca vem se adaptando às particularidades do solo e do clima brasileiros, além de projetar o futuro da mecanização no setor.

O número do valor: custo operacional por hectare

Na visão dos especialistas, para um bataticultor decidir investir em maquinário de ponta, o parâmetro determinante deve ir além do valor de compra inicial da máquina.

“Custo operacional por hectare. Esse sim (é o número determinante). Aqui na Bélgica, onde a AVR nasceu, temos uma cultura da batata muito alta, muito forte. E tem competição também, porque há dois outros grandes fabricantes de máquina de batata aqui, e cada vez nós temos que competir um com o outro. E onde nós marcamos a diferença é o custo operacional”

Com 177 anos de atuação, sendo mais de sete décadas voltadas ao desenvolvimento de colhedoras, a trajetória da marca é marcada pelo dinamismo familiar e pela busca constante por autonomia fabril. Nos anos 1970, sob a liderança do engenheiro Norbert Nollet, a empresa apostou no desenvolvimento de colhedoras autopropelidas de duas linhas. Nas últimas décadas, a marca consolidou sua autonomia ao adquirir fabricantes de plantadeiras e equipamentos de armazenagem, formando um portfólio 100% autoral que cobre todo o ciclo da cultura.

Engenharia integrada do solo à armazenagem

Para atender aos rígidos critérios exigidos pela indústria de batata pré-frita e pelo mercado fresco (in natura), a AVR projeta suas máquinas focando em três pilares essenciais: rastreabilidade, qualidade do produto e conservação da semente.

1. Preparo do Solo e Leiras

Com tecnologias incorporadas da tradicional fabricante holandesa Rumptstad, especialista em solos pesados e abaixo do nível do mar, a empresa disponibiliza fresas e enxadas rotativas capazes de estruturar leiras de dimensões ampliadas. O sistema auxilia na manutenção do canteiro mesmo sob fortes chuvas, além de permitir o manejo mecânico de ervas daninhas, reduzindo a dependência do uso de defensivos agrícolas.

2. Plantio de Precisão com Taxa Variável

Na etapa do plantio, a linha de plantadeiras hidráulicas (como as da série Ceres) integra o mapeamento do campo por GPS.

“A máquina vai reconhecer o ponto GPS do trator, vai saber em que parte do campo está e vai alterar o uso de semente e do líquido. Onde o campo é mais pobre, deixa mais espaçamento entre as sementes para não perdê-las. Onde é mais rico, coloca mais. Dessa maneira, o consumo de batata-semente, que é um dos custos mais altos da produção, é otimizado” (detalhou Trifant).

3. Colheita Eficiente e “Janela Crítica”

Sendo o carro-chefe da marca, as colhedoras (rebocadas e autopropelidas) são desenvolvidas para operar sem interrupções sob condições climáticas adversas — um fator crítico em regiões de inverno severo como a Europa e o Canadá, mas que também faz a diferença nas safras de inverno e das águas no Brasil (especialmente sob os impactos severos do El Niño nos últimos anos).

4. Processamento e Separação de Torrões

No beneficiamento pós-colheita, um dos destaques tecnológicos que chegam ao mercado brasileiro é o sistema com rolo emborrachado exclusivo da AVR, desenvolvido para separar batatas e torrões de terra pela diferença de densidade e agilidade, agilizando o envio do lote limpo para o galpão ou caixas.

Telemetria e dados em tempo real: o AVR Connect

Outro avanço indispensável para os produtores que buscam eficiência é a plataforma de telemetria AVR Connect. A ferramenta monitora parâmetros operacionais da máquina como velocidade de trabalho, pressão hidráulica, rendimento por área, tempo de parada no campo e rotas logísticas dos caminhões.

Mesmo em regiões remotas e lavouras brasileiras onde não há sinal estável de internet móvel, a tecnologia foi projetada para operar de maneira resiliente: o módulo interno salva os dados em uma memória local e realiza a sincronização automática assim que o equipamento se conecta a uma rede. O sistema permite ainda o diagnóstico remoto de falhas e códigos de erro diretamente pela equipe técnica da concessionária.

A expansão da AVR do Brasil e o atendimento especializado

Para garantir que toda a engenharia europeia funcione de forma contínua no campo brasileiro, a AVR do Brasil estabeleceu uma estrutura focada no atendimento especializado e na transferência de conhecimento diretamente ao produtor.

Segundo Roberta Beraldo, fundadora da concessionária no país, o modelo de negócios prioriza o suporte técnico de alto nível e a prontidão no fornecimento de peças.

“O nosso caminho realmente é de especialidade nas máquinas da AVR. Nosso foco não é que o produtor fique preso à nossa assistência, mas que a gente passe o conhecimento de como adaptar a máquina e fazer as manutenções básicas (…). Para nós é mais interessante que o produtor tenha essa confiança, que tenha alguém na equipe dele que saiba fazer a manutenção e que possa ser nosso parceiro por longa data”

A sede da AVR do Brasil está estrategicamente localizada no município de Castro, no Paraná, polo agrícola que facilita o envio de peças de reposição e o atendimento técnico para os grandes núcleos produtores do Sul e do Sudeste, como as regiões de Minas Gerais e São Paulo.

Como definir o equipamento ideal para a sua lavoura?

Ao avaliar o investimento entre uma colhedora rebocada de menor porte e uma autopropelida de alta capacidade (capaz de colher mais de 80 toneladas por hora), os especialistas recomendam analisar a cadeia logística completa da propriedade:

  1. Destino do Produto (Fresco vs. Pré-indústria): Lotes voltados ao consumo fresco (in natura) em sacos/big bags demandam máquinas que permitam seleção manual detalhada no campo para a retirada de torrões e batatas defeituosas.
  2. Capacidade do Escoamento: Não é vantajoso operar uma colhedora de altíssimo rendimento se a frota de caminhões ou o galpão de recepção a granel não conseguirem absorver o fluxo contínuo de tubérculos.
  3. Manejo da Topografia: Equipamentos da AVR contam com adaptações específicas para topografias acentuadas, cenário comum em regiões de montanha do Sul e do Sudeste do Brasil.

Com a expansão da estrutura da AVR do Brasil e a chegada de novas tecnologias de precisão, a bataticultura nacional ganha aliados importantes para elevar a produtividade, proteger a qualidade do lote e otimizar cada etapa da produção no campo.

A AVR estará presente no Conexão Batata Brasileira

A consolidação dessa tecnologia no país terá um ponto de encontro fundamental para todo o setor: a AVR do Brasil confirmou sua presença no Conexão Batata Brasileira, evento de referência organizado pela Abbin que reunirá produtores, especialistas e grandes players da cadeia produtiva.

Na ocasião, os visitantes poderão conferir de perto as soluções integradas da marca belga, tirar dúvidas com a equipe técnica sobre as máquinas adequadas para cada perfil de lavoura e entender na prática como a engenharia de precisão da AVR pode reduzir o custo operacional e impulsionar os resultados na bataticultura nacional.