O início da safra 2026 será marcado por um cenário de neutralidade climática, conforme aponta o prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para o trimestre de janeiro, fevereiro e março. Sem a influência direta de fenômenos globais como El Niño ou La Niña, o clima no Brasil será regido por sistemas regionais, o que resultará em uma distribuição de chuvas bastante heterogênea nas principais regiões produtoras.
Para o setor agropecuário, essa neutralidade significa que a previsibilidade diminui, exigindo dos produtores um monitoramento contínuo das variações locais de curto prazo.
Comparativo: Safra 2025 vs. Safra 2026
Diferente do início de 2025, marcado pela consolidação do fenômeno La Niña, o prognóstico para a safra 2026 indica um cenário de neutralidade climática. No ciclo anterior, o fenômeno trouxe secas severas para o Sul e chuvas muito volumosas para o Norte e Nordeste.
Em 2025, o produtor do Sul enfrentou janelas de plantio arriscadas devido à falta de umidade. Já na safra 2026, o desafio se inverte: o excesso de chuva e a alta umidade na região exigirão atenção redobrada ao manejo de doenças fúngicas.
O Sudeste também apresenta mudanças importantes. Enquanto a região teve chuvas mais regulares em 2025, a safra 2026 sinaliza alerta para veranicos e temperaturas acima da média. Isso exigirá maior eficiência nos sistemas de irrigação e estratégias de conservação de água no solo.
Impactos da chuva no agronegócio brasileiro
A irregularidade das precipitações prevista para o início da safra 2026 trará desafios distintos para cada região do país. Enquanto o Norte e o Centro-Oeste devem registrar chuvas dentro ou acima da média — o que é positivo para o desenvolvimento da soja e do milho de primeira safra —, outras regiões enfrentam riscos hídricos.
No Sudeste, a previsão de chuvas abaixo da média, combinada com temperaturas elevadas, pode aumentar a evapotranspiração e causar estresse hídrico em culturas de verão. Já no Sul, o excesso de umidade pode prejudicar o estágio final de maturação do trigo e interferir no planejamento da colheita e plantio, elevando o risco de perdas por doenças fúngicas.
O setor da batata na safra 2026: Atenção ao manejo sanitário
Especificamente para a cultura da batata, o cenário previsto para o primeiro trimestre da safra 2026 exige cautela redobrada, especialmente no Sul e no Sudeste. Nas áreas do Sul, onde a umidade tende a ser elevada, o risco de doenças como a requeima (Phytophthora infestans) e a pinta-preta aumenta consideravelmente, demandando um cronograma de aplicações preventivas mais rigoroso.
No Sudeste, o desafio será o manejo da irrigação; a previsão de chuvas abaixo da média pode elevar os custos de produção e, se as temperaturas forem excessivamente altas, prejudicar a tuberização e a qualidade dos tubérculos destinados à indústria.
Perspectivas e recomendações para o produtor
A neutralidade do ENOS amplia a influência da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Na prática, isso pode gerar episódios de chuvas intensas em curtos períodos, seguidos por veranicos prolongados. Para garantir o sucesso na safra 2026, a ABBIN orienta que o produtor intensifique o monitoramento climático localizado em sua microrregião.
É fundamental investir em um manejo de solo eficiente, adotando práticas que aumentem a capacidade de retenção de água. Essa estratégia será crucial para mitigar a irregularidade hídrica prevista para o Sudeste.
No Sul, a prioridade deve ser a defesa vegetal. É recomendável manter um cronograma rigoroso de fungicidas, evitando atrasos que permitam a proliferação de patógenos favorecidos pelo calor e pela umidade constante.








