A requeima (Phytophthora infestans) é, historicamente, a doença mais devastadora para o cultivo da batata em todo o mundo. No cenário atual de março de 2026, o documento “Matérias e Texto” acende um alerta vermelho para os produtores brasileiros: a combinação de fatores climáticos extremos e custos de produção elevados transformou o manejo da doença em uma corrida contra o tempo.
O Cenário Ideal para a Proliferação da Requeima
De acordo com os monitoramentos meteorológicos recentes, o avanço de uma frente fria e a formação de um ciclone no Centro-Sul trouxeram umidade excessiva e quedas bruscas de temperatura. Para a requeima, esse é o ambiente perfeito.
O patógeno se desenvolve com vigor quando a umidade relativa do ar está acima de 90% e as temperaturas oscilam entre 15°C e 25°C. Com previsões de chuvas superando os 200 mm em estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro, o risco de epidemias no campo saltou de moderado para alto em poucos dias.
Sintomas e Impacto na Produtividade
Relatos de produtores da região de Bom Jesus (RS) já indicam a presença de manchas escuras e de aspecto “oleoso” nas folhagens. Se não controlada rapidamente, a requeima pode destruir uma lavoura inteira em questão de dias, afetando não apenas a parte aérea, mas também a qualidade dos tubérculos, comprometendo o valor de mercado no atacado.
Manejo em Tempos de Crise: O Desafio dos Custos
Um dos pontos centrais discutidos no setor é o impacto econômico do controle fitossanitário. Com a alta no preço do petróleo, os insumos, incluindo fungicidas e o diesel para a aplicação, ficaram consideravelmente mais caros.
- Eficiência Operacional: Conforme destacado na Expodireto Cotrijal, a agricultura de precisão torna-se a maior aliada. Aplicar o produto certo, no momento exato e apenas onde é necessário, é a única forma de combater a requeima sem corroer a margem de lucro.
- Monitoramento Constante: Em anos de El Niño, como o que vivemos agora, o “calor de outono” intercalado com chuvas exige que o produtor não baixe a guarda, mesmo quando o céu parece limpo.
O Papel da Prevenção e do Seguro Agrícola
O cenário atual também é reflexo do impacto dos desastres climáticos, que geraram prejuízos bilionários em 2025. Para a requeima, a prevenção ainda é o melhor investimento. O uso de cultivares com maior tolerância e o respeito ao espaçamento para permitir a ventilação da folhagem são medidas essenciais recomendadas por especialistas.
Além disso, a liberação de créditos via MP 1.337/2026 reforça a importância de estar amparado por políticas públicas e seguros privados, já que a pressão de doenças costuma vir acompanhada de perdas estruturais por excesso de chuva.
Informação é a Melhor Defesa
Enfrentar a ameaça da requeima exige mais do que apenas reagir aos sintomas; exige uma estratégia baseada em dados e na antecipação dos ciclos do patógeno. É neste ponto que o apoio institucional se torna o diferencial competitivo.
Por meio de iniciativas como as da ABBIN (Associação Brasileira de Batata In Natura), o produtor tem acesso a boletins de alerta e inteligência de mercado que permitem tomar decisões seguras, evitando o atraso no manejo que tantas vezes leva à perda total do investimento. A solução para fugir do prejuízo está na união entre o monitoramento climático rigoroso, a aplicação técnica precisa e o suporte informativo constante.








