O mercado de hortifrúti encerra fevereiro de 2026 com um movimento de correção brusca. Após um janeiro marcado pela desvalorização, o cenário atual é de alta nos principais entrepostos do país. Essa gangorra da batata — termo comum entre produtores para definir a volatilidade do setor — reflete diretamente o desafio de equilibrar a oferta em períodos de clima instável.
Se em janeiro a oferta da safra das águas pressionou as cotações para baixo, o cenário atual é de restrição. O motivo? O clima.
O fator clima e a alta nos atacados
A valorização observada nas últimas semanas não é por acaso. O excesso de umidade em regiões estratégicas, com destaque para o Cerrado Mineiro, dificultou a entrada de máquinas no campo e reduziu o ritmo da colheita. Com menos produto disponível e uma qualidade oscilante devido às chuvas, o preço da batata tipo ágata subiu consideravelmente.
De acordo com o levantamento do Cepea, o impacto nos atacados foi severo:
- Belo Horizonte: Registro de alta de 26,2%.
- São Paulo: Valorização de 10,7%.
- Rio de Janeiro: Reajuste de 4,6%.
O que esperar para a próxima safra?
Enquanto o Sul do país experimenta um clima mais seco, o Sudeste permanece sob alerta de chuvas acima da média. Para o produtor, o momento exige cautela no planejamento logístico e atenção à sanidade do tubérculo, já que a instabilidade na oferta deve manter as cotações sob pressão nas próximas semanas.
O que isso significa para o seu negócio?
A volatilidade atual reforça que a rentabilidade na bataticultura depende cada vez menos do volume colhido e muito mais do timing de comercialização e da gestão de riscos climáticos. O produtor que monitora as janelas de chuva e antecipa o comportamento dos grandes atacados — como Ceagesp e CeasaMinas — garante uma posição de vantagem na negociação de margens, especialmente em momentos de oferta restrita como o atual.
A ABBIN mantém o posicionamento de que o fortalecimento da cadeia passa, obrigatoriamente, pelo acesso à informação técnica de qualidade e pela união dos produtores. Entendemos que momentos de “gangorra” nos preços exigem cautela: não é apenas sobre aproveitar a alta, mas sobre planejar o escalonamento da produção para mitigar perdas em períodos de saturação. Nosso compromisso é seguir oferecendo as ferramentas e análises necessárias para que o bataticultor brasileiro transforme a instabilidade do mercado em oportunidade de crescimento sustentável.








