Associação Brasileira de Batata In Natura

De “A a Z” no campo: Otávio Maia detalha o peso da batata mineira e os desafios da produtividade

Imagem de Otávio Maia.

A força do agronegócio mineiro não se constrói apenas com terra e clima favoráveis, mas com o apoio contínuo de quem está lado a lado com o produtor. Otávio Maia, diretor-presidente da Emater-MG e presidente da Asbraer, entende profundamente essa dinâmica.

Comandando uma instituição presente em 820 municípios e que atende cerca de 350 mil produtores rurais todos os anos, ele conhece a realidade das mais diversas culturas do estado.

“A Emater trabalha de A a Z com o produtor rural. Da apicultura, da abelha, ao zebu”, ilustra Maia, ressaltando a abrangência do serviço.

Segundo o presidente da entidade, a missão é ser o porto seguro de quem vive da terra, independentemente do tamanho da propriedade ou do tipo de cultivo. “Tudo que o produtor rural precisa acaba batendo na porta da Emater pedindo ajuda. E nós estamos ali para isso mesmo”, garante ele.

A liderança na batata e a busca por produtividade

Minas Gerais consolidou-se como o principal motor do cultivo de batata no Brasil. Os números apresentados por Maia confirmam o protagonismo absoluto do estado no abastecimento nacional.

“A gente tem na batata uma produção em Minas de 1 milhão e 70 mil toneladas ao ano”, destaca o diretor-presidente. A relevância do produtor mineiro para a mesa dos brasileiros é inquestionável. “Somos, disparado, o líder responsável por 35,7% do volume nacional produzido”, celebra.

Apesar do volume expressivo, o cenário exige evolução constante. Maia reconhece que o estado esbarra em um obstáculo técnico quando a operação é comparada a outras regiões produtoras. “A gente precisa melhorar a produtividade de batata em Minas, porque o Distrito Federal e Goiás têm uma produtividade mais elevada do que a nossa”, alerta o gestor.

Para superar esse gargalo, ele defende a união estreita entre a pesquisa agropecuária, desenvolvida pela Epamig, e a extensão rural. “A pesquisa pode nos ajudar, assim como a assistência técnica para o manejo correto, que é o trabalho da Emater, nos leva a elevar essa produtividade”, explica Maia.

O caminho até a mesa: merenda escolar e feiras livres

O apoio da Emater-MG vai muito além das lavouras. A comercialização é um dos focos da instituição, que busca encurtar a distância entre quem planta e quem consome o alimento.

Entre as grandes vitórias recentes está a retomada do incentivo para que pequenos produtores forneçam seus cultivos diretamente para a alimentação dos alunos da rede pública. “A gente voltou a ter hoje incentivo para pequenos produtores fornecerem e entregarem a batata in natura para as escolas”, ressalta o presidente.

Ele explica que a preparação do produtor para vender para a rede estadual o deixa apto a acessar mercados municipais, gerando um ciclo contínuo de crescimento e escoamento.

O charme do contato direto, no entanto, ainda se destaca nas feiras livres apoiadas pela instituição, onde os produtos ganham novos formatos e atraem o público.

Maia cita um caso prático que une cultura e rentabilidade de forma criativa nas ruas. “Temos o vendedor da batata frita, que é um sucesso nas nossas feiras”, conta.

A demanda pelo petisco, segundo ele, é um reflexo claro da preferência nacional. “Cai no gosto do povo mesmo e a gente adora uma batata frita”, exemplifica.

Sustentabilidade e o exemplo para o mundo

Em tempos de atenção global voltada ao meio ambiente, o agronegócio brasileiro frequentemente se vê sob os holofotes. Para o presidente da Asbraer, que já representou o estado em diversos fóruns internacionais, a realidade local é motivo de orgulho. “Quando conhecemos como o agro é feito no Brasil e em Minas Gerais, a gente vê que estamos anos-luz da grande maioria esmagadora da produção de alimentos do mundo”, avalia Maia.

Ele relata que a capacidade do país de manter várias safras anuais e produzir com responsabilidade costuma surpreender os estrangeiros. “A gente consegue conciliar a produção de alimentos com a sustentabilidade, e isso às vezes assusta quem está lá fora”, comenta.

Dentro das propriedades, a preservação não é uma obrigação imposta, mas uma necessidade intrínseca ao negócio. Maia defende que o agricultor é o primeiro e maior interessado em proteger seus recursos naturais. “O produtor cuida da terra, da água, da flora e da fauna, porque ele vive disso tudo lá na propriedade rural”, explica.

O papel da Emater, nesses casos, é fornecer as técnicas corretas, como a construção de barraginhas, terraços e a proteção de nascentes. Afinal, como conclui o gestor, “muitas das vezes o que falta é o conhecimento, que é o que a Emater sempre leva ao produtor”.

O agro como âncora do Brasil

Ao projetar o futuro do setor nos próximos anos, Otávio Maia mantém um otimismo inabalável e exige reconhecimento para o homem do campo.

Para ele, é essencial que toda a sociedade compreenda a magnitude do trabalho realizado nas lavouras e o impacto direto disso na economia do país. “Os nossos produtores rurais são a âncora do nosso desenvolvimento econômico e da nossa balança comercial”, crava Maia.

Finalizando sua participação, o executivo deixa uma provocação sobre a importância histórica e atual da classe produtora para a estabilidade da nação: “Se não fosse o agro, onde o Brasil estaria?”, questiona.

Otávio Maia em A Voz do Batateiro

Quer mergulhar ainda mais nas estratégias que fazem de Minas Gerais o líder nacional na produção e entender os bastidores da assistência técnica que transforma a vida do produtor rural?

Confira o bate-papo completo com Otávio Maia no podcast A Voz do Batateiro, uma produção oficial da ABBIN. Clique no link abaixo e aproveite para absorver todo o conhecimento e as histórias de quem vivencia a força do agronegócio mineiro todos os dias.

YouTube (vídeo) | Spotify (Áudio)