Associação Brasileira de Batata In Natura

Em Berlim, excesso de oferta da batata gera distribuição gratuita para a população

Representação de como seria o galpão cheio de batatas em Berlim.

Enquanto o mercado brasileiro de hortifrúti lida com a escassez e a consequente alta de preços, o cenário europeu registra um fenômeno oposto. No início do mês de fevereiro, a batata na Alemanha tornou-se protagonista de um evento atípico: o excedente recorde de produção levou à distribuição gratuita de milhares de toneladas do tubérculo na capital, Berlim, expondo os desafios da volatilidade na oferta global.

Superprodução e logística

O volume de batata na Alemanha superou as projeções mais otimistas das cooperativas locais. Com as unidades de processamento operando em capacidade máxima e os estoques de armazenamento saturados, os produtores enfrentaram um dilema logístico. Sem canais comerciais imediatos para escoar o produto in natura, a solução encontrada para evitar o apodrecimento no campo foi a doação direta à população.

Aproximadamente 4.000 toneladas foram disponibilizadas em pontos estratégicos de Berlim. A ação, embora tenha contornos de assistência social e combate ao desperdício, acende um sinal amarelo para a rentabilidade do produtor europeu, que vê o valor de mercado do seu produto despencar diante da superabundância.

Reflexos no mercado internacional

Para o setor brasileiro, o comportamento da batata na Alemanha não é apenas uma curiosidade geográfica. Analistas de mercado apontam que grandes excedentes em potências agrícolas europeias costumam pressionar os preços de derivados, como a batata pré-frita congelada, que é amplamente importada pelo Brasil.

“O que acontece com a batata na Alemanha hoje pode influenciar o poder de negociação da indústria global amanhã”, explicam especialistas da ABBIN. O monitoramento desses excedentes é crucial para que o produtor nacional compreenda as flutuações de preços que ocorrem fora das fronteiras brasileiras.

O contraste com o cenário brasileiro

A situação registrada no início do mês de fevereiro na Europa contrasta severamente com o mercado interno brasileiro. Por aqui, as chuvas intensas nas principais regiões produtoras reduziram a oferta, elevando os preços nos atacados.

Essa dualidade reforça a importância de políticas de estabilização de oferta e investimentos em tecnologias de pós-colheita. Enquanto a Alemanha lida com o excesso, o Brasil busca estratégias para mitigar as perdas causadas pelo clima, mostrando que a segurança alimentar e a estabilidade do setor dependem de um planejamento que considere tanto a falta quanto a fartura extrema.