Associação Brasileira de Batata In Natura

Caroline Marques Castro: A ciência que molda o futuro da Batata Brasileira

Foto de Caroline Marques Castro

O futuro da alimentação global passa, necessariamente, pela inovação no campo, e no Brasil, um dos pilares dessa transformação atende pelo nome de Caroline Marques Castro. Pesquisadora da Embrapa e atual coordenadora do Programa de Melhoramento Genético de Batata, Caroline dedica sua vida a conectar o rigor da ciência com a realidade prática do produtor rural. Seu trabalho é um elo vital que une laboratórios de alta tecnologia, campos experimentais e, finalmente, a mesa do consumidor.

A missão de Caroline vai além do desenvolvimento de novas cultivares. Trata-se de garantir a soberania nacional por meio da genética e oferecer ao mercado produtos que equilibrem produtividade, sustentabilidade e qualidade culinária. Para ela, a pesquisa só faz sentido quando gera resultados reais na ponta: “Se não tem esse retorno do produtor… nosso trabalho fica perdido no meio de tantas outras atividades”, afirma a pesquisadora.

Da Genética ao Campo: A Formação de uma Especialista

A jornada de Caroline Marques Castro no universo agrícola é marcada por uma sólida formação acadêmica e uma curiosidade científica que a acompanha desde cedo. Agrônoma formada em Pelotas, com mestrado em fito melhoramento e doutorado em genética pela Unesp, ela ingressou na Embrapa em 2002. Inicialmente focada na área de recursos genéticos e conservação, ela assumiu a curadoria do Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de batata em 2004, cargo que ocupou até meados do ano passado, quando passou a liderar o programa nacional de melhoramento.

Essa vasta experiência com recursos genéticos permitiu que Caroline compreendesse a batata não apenas como uma mercadoria, mas como um patrimônio biológico. Ela explica que o banco de germoplasma da Embrapa hoje conta com mais de 400 acessos, funcionando como uma “biblioteca” de genes essenciais para o futuro. “Ter esse acervo é extremamente importante. O que dá uma soberania nacional para qualquer país… um país que não tem diversidade genética, que não conserva, que não cuida disso, é um país que está com futuro limitado”, ressalta Caroline.

O Processo de Melhoramento: Criando a “Batata Ideal”

Desenvolver uma nova cultivar de batata é um exercício de paciência e precisão que pode levar entre 13 e 15 anos. Sob a coordenação de Caroline Marques Castro, a equipe multidisciplinar da Embrapa avalia mais de 40 características antes de lançar um material no mercado. O processo começa com a produção de sementes botânicas em Pelotas, que depois seguem para triagens rigorosas em Canoinhas (SC), onde dezenas de milhares de clones iniciais são reduzidos a apenas alguns exemplares de elite ao longo dos anos.

Caroline destaca que a produtividade é o “bilhete de entrada” para qualquer nova variedade: “Se não é produtivo, a gente sabe que não vai ter a adoção… não dá pra querer inventar ou forçar uma coisa que já nasce morta”. No entanto, a produtividade precisa caminhar junto com a resistência a doenças, adaptação ao calor e, crucialmente, a aparência e qualidade culinária exigidas pelo consumidor e pela indústria. Seja para o mercado in natura ou para o segmento de chips e batata palha, cada detalhe é testado para garantir que a conta do produtor feche no final do mês.

A Soberania e o Papel Estratégico das Sementes Nacionais

Um dos pontos mais sensíveis abordados por Caroline Marques Castro é a dependência do Brasil em relação às cultivares estrangeiras. Ela defende que fortalecer a genética nacional é uma questão estratégica para a segurança alimentar e econômica do país. Além de reduzir os riscos fitossanitários de importação, o uso de variedades nacionais garante que o material já nasça adaptado ao clima tropical e aos solos brasileiros.

No entanto, Caroline reconhece que a comunicação e o fluxo de mercado ainda são barreiras para a adoção em massa das variedades da Embrapa. O produtor de sementes precisa ter a certeza da demanda antes de apostar em uma nova cultivar. Para superar esse desafio, ela aposta na proximidade com associações como a ABBIN e na “inovação aberta”, onde o setor produtivo participa da validação dos clones desde as fases iniciais. “A gente precisa trabalhar junto já para conhecer antes do material estar lançado… a chance de sucesso é muito maior”, pontua.

O Futuro da Batata: Sustentabilidade e Biotecnologia

Olhando para as próximas décadas, Caroline Marques Castro prevê um cenário onde a batata precisará ser “mais com menos”. A sustentabilidade não é mais apenas um conceito, mas uma exigência de mercado por lavouras menos dependentes de insumos químicos e mais resilientes às mudanças climáticas. A pesquisadora acredita que ferramentas biotecnológicas modernas serão fundamentais para acelerar o desenvolvimento de plantas mais estáveis e resistentes, respondendo rapidamente aos desafios que surgem no campo.

Para Caroline, o futuro também exige um consumidor mais informado sobre a ciência por trás do alimento. Ela reforça que a batata é um fenômeno nutricional e produtivo, capaz de gerar grande quantidade de alimento em espaços e tempos reduzidos, sendo essencial para o crescimento populacional global. “A batata está na mesa de todo mundo e eu acho que a gente não pode desistir, né? Apesar de todas as dificuldades… a gente sabe que não é fácil, é uma luta diária”, afirma, deixando um recado de incentivo aos produtores.

Caroline Marques Castro em A Voz da Batata

Para compreender todos os detalhes técnicos e a paixão que move a pesquisa brasileira, convidamos você a ouvir a entrevista completa de Caroline Marques Castro. Nela, a pesquisadora detalha as oportunidades de parcerias entre a iniciativa privada e a Embrapa, explicando como produtores e distribuidores podem ter acesso antecipado a novas tecnologias por meio de contratos de cooperação técnica e validação em campo.

É uma oportunidade única para entender como a ciência brasileira está trabalhando para dar autonomia e rentabilidade ao nosso batateiro. A Embrapa está de portas abertas para quem deseja inovar e construir, em conjunto, uma cadeia produtiva mais forte e sustentável.

Quer ver ou ouvir a entrevista de Caroline Marques Castro na íntegra? Clique nos botões abaixo e não perca a oportunidade de aprender com quem é referência no setor.

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