Você já parou para pensar que a casca da batata que consumimos diariamente possui semelhanças genéticas com a cortiça utilizada em rolhas e isolamentos? Pode parecer curioso, mas a relação entre batata e cortiça é a chave para uma das pesquisas biotecnológicas mais promissoras da atualidade, visando a criação de plantas mais resistentes às mudanças climáticas.
Cientistas estão utilizando a batata como um modelo vivo para entender como as plantas fabricam a suberina — a substância impermeável que compõe tanto a casca do tubérculo quanto a cortiça dos sobreiros.
A ciência por trás da conexão entre batata e cortiça
O foco dos estudos recentes, destacados no setor de inovação agropecuária, está na capacidade da planta de formar uma barreira protetora contra o estresse ambiental. A casca da batata funciona como uma “pele” que evita a perda de água e a entrada de patógenos.
Ao estudar a relação entre batata e cortiça, os pesquisadores descobriram que:
- Modelo Genético: A batata é muito mais fácil de cultivar e estudar em laboratório do que as árvores de sobreiro, que levam décadas para crescer.
- Memória de Estresse: A pesquisa indica que as plantas de batata podem desenvolver uma “memória epigenética” ao calor. Isso significa que, se uma planta mãe for exposta a altas temperaturas, ela pode transmitir instruções genéticas para que a próxima geração produza uma casca (suberina) mais eficiente.
- Formação da Suberina: A síntese dos biopolímeros é praticamente idêntica em ambos os casos, tornando o tubérculo o laboratório perfeito para biotecnologia florestal.
Por que isso é importante para o batateiro?
Embora pareça uma pesquisa puramente teórica, os benefícios práticos para a cadeia produtiva são diretos. Entender a fundo a interação entre batata e cortiça permite o desenvolvimento de variedades que:
- Resistam melhor a secas prolongadas: Uma casca mais eficiente retém a umidade interna do tubérculo.
- Suportem ondas de calor: Com o aumento das temperaturas globais, variedades que “aprendem” a se proteger do calor garantem a produtividade.
- Melhorem o pós-colheita: Uma casca mais robusta diminui as perdas por danos físicos durante o transporte e armazenamento.
O futuro da biotecnologia no campo
A integração entre o estudo da batata e cortiça mostra que a bataticultura está na vanguarda da ciência mundial. O que começa em um microscópio analisando a estrutura da cortiça pode terminar em campos de batata mais produtivos e resilientes em regiões de clima desafiador, como o Cerrado brasileiro.
Para os associados da ABBIN, acompanhar esses avanços é fundamental para entender o potencial das futuras sementes e as tendências de manejo que priorizam a saúde celular da planta.
A ciência transforma o campo a cada dia, e a batata é protagonista nessa jornada. Para acompanhar mais descobertas sobre biotecnologia, novos estudos científicos e o impacto das inovações no mercado brasileiro e internacional, continue acompanhando o portal da ABBIN.








