Associação Brasileira de Batata In Natura

Por que a batata brasileira ainda não chegou ao mercado global?

O Brasil é um gigante agrícola, líder na exportação de commodities como soja, carne e café. Mas quando olhamos para a batata in natura, o cenário é completamente diferente. Apesar de produzirmos mais de 4 milhões de toneladas por ano, a presença da batata brasileira nos mercados internacionais é praticamente nula. Para se ter uma ideia, enquanto a produção global de batata movimenta mais de 300 milhões de toneladas, apenas cerca de 3% desse total é exportado entre países.

Mas por que um alimento tão fundamental e amplamente cultivado aqui não encontra seu caminho para fora? A resposta está em uma combinação de desafios logísticos, barreiras comerciais e, principalmente, requisitos fitossanitários rigorosos. Vamos entender cada um desses pontos.

Barreiras fitossanitárias: o principal obstáculo

Um dos maiores desafios que a batata brasileira enfrenta para ser exportada são as barreiras fitossanitárias. Muitos países impõem regulamentos sanitários extremamente rígidos para evitar a entrada de pragas e doenças agrícolas. A batata, sendo um tubérculo cultivado no solo, é suscetível a diversos patógenos.

Para exportar, os produtores brasileiros precisam provar que suas culturas estão livres de pragas consideradas quarentenárias em outros mercados, como a bactéria Ralstonia solanacearum, que causa a murcha da batata. Isso exige um investimento significativo em certificações, testes laboratoriais e inspeções minuciosas. A burocracia e o custo adicional acabam desestimulando a maioria das iniciativas de exportação.

A experiência do Egito, um dos maiores exportadores de batata fresca do mundo, serve de inspiração. Para suprir a demanda europeia, o Egito investiu em um programa rigoroso de zonas livres de pragas, com rastreabilidade completa e inspeção de cada lote. Esse esforço valeu a pena e hoje a batata é um dos principais produtos agrícolas exportados pelo país.

Desafios comerciais e protecionismo da batata brasileira

Além das questões sanitárias, a batata brasileira enfrenta barreiras comerciais. Historicamente, esse alimento não foi priorizado nas negociações internacionais do Brasil, que sempre focaram em commodities de grande volume. Muitos países protegem seus produtores locais com tarifas de importação elevadas, cotas e restrições sazonais.

A recente abertura do mercado brasileiro para a batata peruana, por exemplo, mostra que acordos específicos podem abrir portas. O Peru, mesmo com uma produção menor que a nossa, tem buscado ativamente mercados externos, focando em suas variedades andinas e na conformidade com protocolos internacionais. Esse movimento serve de alerta: se não buscamos espaço lá fora, corremos o risco de perder até parte do nosso mercado interno para concorrentes mais competitivos.

Como a bataticultura brasileira pode mudar esse cenário?

Para que a batata brasileira conquiste o mercado global, é preciso uma ação coordenada e estratégica.

  • Investir em sanidade e certificação: A primeira medida é fortalecer o controle fitossanitário interno. Isso inclui a criação de zonas de produção livres de pragas, com um sistema de rastreabilidade robusto. Isso dará a credibilidade necessária para que o produto brasileiro seja aceito em mercados exigentes.
  • Buscar acordos comerciais: É fundamental incluir a batata e outros hortifrutis na pauta de negociações internacionais do Brasil. Isso pode levar à redução de tarifas e à simplificação da burocracia, tornando o produto mais competitivo no exterior.
  • Identificar nichos de mercado: Em vez de competir em volume, o Brasil pode focar em nichos de alto valor agregado. O exemplo da Holanda, gigante na exportação de batata-semente de alta qualidade, mostra a importância de focar em especializações. Batatas orgânicas, variedades especiais ou até mesmo batata-semente adaptada a climas tropicais poderiam ser diferenciais importantes.

O futuro da batata brasileira

Transformar a batata em um produto de exportação não é uma tarefa fácil, mas é uma meta alcançável. Exige um alinhamento entre produtores, associações (como a ABBIN) e o governo. O ganho potencial é duplo: aliviar a pressão do mercado interno (que tem apresentado queda no consumo) e gerar valor lá fora, recompensando o produtor e elevando o patamar da bataticultura nacional.

O desafio é grande, mas não intransponível. Com persistência e uma visão de longo prazo, a batata brasileira pode, em alguns anos, ser apreciada em mesas pelo mundo afora. A hora de começar a planejar esse futuro é agora.

Conheça a ABBIN

Quer saber mais sobre esse assunto e se aprofundar? Ouça o Episódio 40 do podcast A Voz da Batata, que trata diretamente desse importante assunto para os produtores de batata no Brasil.

O podcast A Voz da Batata é uma produção, da ABBIN, a Associação Brasileira de Batata In-natura. A ABBIN é uma entidade de classe que representa os interesses de produtores, distribuidores e parceiros da cadeia produtiva da batata no Brasil.

Quer conhecer mais sobre a ABBIN? Acesse o nosso site e as nossas redes sociais.