O Agro brasileiro abriu o ano de 2026 reafirmando seu papel como motor da economia nacional. Em janeiro, as exportações do setor somaram US$ 10,8 bilhões. O resultado é estratégico: embora o faturamento nominal tenha recuado 2,2% em função da queda nos preços internacionais de algumas commodities, o setor respondeu com eficiência produtiva, elevando em 7% o volume total de produtos enviados ao exterior.
Radiografia das Exportações: O que impulsionou o setor?
O desempenho do Agro no primeiro mês do ano foi sustentado por uma combinação de safra recorde e gestão logística. Os principais destaques da pauta exportadora incluíram:
- Complexo Soja: Responsável por grande parte do fluxo, com forte demanda da Ásia.
- Carnes (Bovina e Frango): Abertura de novos mercados no Oriente Médio e Sudeste Asiático.
- Cereais e Hortifrútis: O setor de batatas e vegetais processados, embora focado no mercado interno, beneficia-se da estrutura logística montada para o escoamento das grandes culturas.
Destinos Estratégicos e Geopolítica
A China permanece como o principal parceiro comercial do Agro, absorvendo cerca de 35% do valor total exportado. No entanto, janeiro de 2026 marcou um avanço importante na diversificação de destinos. A União Europeia e os países do Sudeste Asiático aumentaram suas compras, buscando a segurança alimentar proporcionada pelo modelo produtivo brasileiro, que hoje é referência em rastreabilidade.
Investimento em Defesa e Sanidade: O Escudo do Agro
Para sustentar cifras bilionárias, a proteção das fronteiras agrícolas é vital. O governo federal sancionou recentemente a lei que destina R$ 83,5 milhões para a defesa agropecuária. Esse montante é aplicado diretamente no combate a pragas e na fiscalização de insumos, como visto na “Operação Triângulo” em Minas Gerais, que retirou de circulação 21 toneladas de agrotóxicos irregulares.
Essas ações garantem que o selo de qualidade do Agro brasileiro seja respeitado globalmente, evitando barreiras não tarifárias que poderiam prejudicar o acesso a mercados premium.
Desafios: Clima e Custo de Produção
Apesar do sucesso nas exportações, o produtor enfrenta desafios “dentro da porteira”. Na Chapada Diamantina, por exemplo, o calor intenso e a baixa nos reservatórios (40% da capacidade) exigem maior investimento em irrigação e tecnologia de mitigação de estresse térmico, como o uso de bioestimulantes.
A queda no faturamento por tonelada exige que o empresário rural do Agro foque na gestão de custos e na escala de produção para manter a rentabilidade em dia.
Com o dólar mantendo um patamar competitivo para a exportação e a logística interna apresentando melhorias nos portos do Arco Norte, a tendência é que o Agro continue batendo recordes de volume. A expectativa para o primeiro trimestre é de superávit comercial robusto, consolidando o Brasil como o porto seguro do suprimento global de alimentos.
O Que Esperar do Agro para o Primeiro Semestre?
A tendência para os próximos meses é de consolidação. Com a colheita de grãos avançando e a pecuária mantendo bons índices de exportação para o Sudeste Asiático, o agro deve continuar sendo o principal pilar do PIB brasileiro. Para os produtores de batata e outros vegetais, o fortalecimento da logística de exportação do complexo soja e milho acaba abrindo caminhos e barateando o frete de retorno, beneficiando toda a cadeia produtiva.
A Batata como Pilar Estratégico no Ecossistema Global
Embora o protagonismo das exportações bilionárias em janeiro de 2026 recaia sobre as grandes commodities, a cadeia da batata desempenha um papel tático indispensável para o equilíbrio do agro nacional. O fortalecimento das rotas de escoamento e os investimentos recordes em defesa sanitária — exemplificados pelos R$ 83,5 milhões destinados à sanidade vegetal — criam um “efeito guarda-chuva” que beneficia diretamente o produtor. Ao garantir campos livres de pragas em polos como Paraná e Minas Gerais, o setor eleva seu patamar de segurança e competitividade.
Dessa forma, o Brasil não apenas alimenta o mercado interno com eficiência, mas também prepara o terreno para que a batata brasileira conquiste novos mercados internacionais. O setor está atento à janela de oportunidade aberta pela crescente demanda global por alimentos processados, apostando na alta rastreabilidade para consolidar sua presença no comércio exterior em 2026.
Neste cenário de transformação, a ABBIN projeta um ano de avanços significativos para o setor. A expectativa da Associação é que, com a estabilização da oferta nas principais regiões produtoras e o apoio das novas políticas de defesa agropecuária, os produtores brasileiros alcancem novos patamares de rentabilidade. Para a ABBIN, o foco em 2026 será converter o bom desempenho do agro em tecnologias de ponta “dentro da porteira”, garantindo que a batata nacional seja reconhecida globalmente por sua qualidade superior e sustentabilidade.








